http://vanessakrodrigues.blogspot.com/2009_07_01_archive.html
Muito bem, ao acessar esse blog vocês irão procurar o texto chamado Romance. Um best-seller de fato. Muito bom o texto. Eu particularmente gostei, fiquem à vontade e tirem suas calças e máscaras ao lê-lo.
Façam um tour pelo blog e conheçam a encantadora mente de Vanessa Rodrigues. Minha amiga :)
domingo, 26 de setembro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Findar-se
Foi no dia em que decidiu sair dali. Sabia muito pouco, não sabia quase nada, mesmo assim decidiu sair dali.
No outro lugar: um mundo de mudanças confusas e descontroladas. Falava-se sobre globalização, capitalismo, violência, inflação, tecnologia, auto-sustentação, DNA. Agora sabia muito mais e ficava aflito. A ignorância trata-se de bênção. Sabido de algo decidiu sair dali. Já não era tão leigo e por isso decidiu sair dali.
Em outro lugar: uma vida com liberdades cativas. Fazia sexo sempre que queria, usava drogas sempre que conseguia, saltava de festa em festa. A euforia o consumia... Agora só e cansado resolveu sair dali. A efemeridade o encontrou, tão logo resolveu sair dali.
Em lugar algum: não encontrou uso para tanta sabedoria, o sexo não o acalentava, as festas não mais o divertia e as drogas o aprisionara. Havia conservado os amigos errados. Sozinho e desolado viu que no mundo tinha feito as escolhas erradas. Tolo. Nunca soube de nada.
O mundo era coisa ampla e nele cabia tudo o que ele pudesse refletir. Viu que seu reflexo era fútil e pouco sentimental.Passou sua vida indo à lugares errados.
No dia o qual percebeu que o lugar errado era ele: foi no dia em que decidiu sair dali. Sabia muito pouco, não sabia quase nada. Agora, silencioso, não está nem aqui, nem acolá; está morto. Decidiu sair dali, decidiu sair de si.
Thuanny Maryna.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Uma rapidinha
Mudar, é claro, é preciso. Mas nunca me disseram que seria agradável. É que mistura o medo do novo com o apego ao velho. Mesmo que aquilo não lhe caiba mais, você fica pensando o porquê de não caber mais... Enfim. Mas mudar é preciso e digo mais: inevitável. Mudem, mude, mas não esqueça que em algum lugar do "quem sou" existe o "quem era". Ser é um conjunto de "estar".
Escrito para Gustavo Mourato e escrito aqui graças a VanessaK.
O final está meio solto: não gosto de ficar mecanizando as produções. Saiu, saiu, fim.
Escrito para Gustavo Mourato e escrito aqui graças a VanessaK.
O final está meio solto: não gosto de ficar mecanizando as produções. Saiu, saiu, fim.
sábado, 11 de setembro de 2010
As saudades são muitas e as distancias também
Ah, só de imaginar que estarei por aí... Comecei a comprar as aspirinas, as neosaldinas, os lexotans...
Já posso imaginar as brigas que arrumaremos, os filmes que assistiremos e os assuntos que estudaremos juntas. Já imagino minhas noites brigando por um espaço no seu colchão, por um pedaço do seu edredom, por um pouco de atenção. Imagino também as brigas pelo controle da televisão, os murmúrios enciumados pela mãe, as disputas para não fazer os 'mandados' do pai...
Só de imaginar sinto o cheiro do travesseiro, escuto o cachorro latindo em desespero, lembro do espelho do banheiro. Só de imaginar me ponho feliz. Só de imaginar! Imagina, meu Deus, quando eu chegar aí! (?)
Saudade da minha irmã, esperávamos juntas o papai noel!
Viver longe da família é esquisito: é sentir saudades de estar preso e sufocado por estar livre. É bom crescer, mas na hora certa.
Já posso imaginar as brigas que arrumaremos, os filmes que assistiremos e os assuntos que estudaremos juntas. Já imagino minhas noites brigando por um espaço no seu colchão, por um pedaço do seu edredom, por um pouco de atenção. Imagino também as brigas pelo controle da televisão, os murmúrios enciumados pela mãe, as disputas para não fazer os 'mandados' do pai...
Só de imaginar sinto o cheiro do travesseiro, escuto o cachorro latindo em desespero, lembro do espelho do banheiro. Só de imaginar me ponho feliz. Só de imaginar! Imagina, meu Deus, quando eu chegar aí! (?)
Saudade da minha irmã, esperávamos juntas o papai noel!
Viver longe da família é esquisito: é sentir saudades de estar preso e sufocado por estar livre. É bom crescer, mas na hora certa.
Nós, nós mesmos e o alinhamento dos planetas

Eu já comentei sobre o livro entitulado acima, resolvi colocar aqui seu esboço. Confesso que tive certa preguiça de editá-lo ou continuá-lo, mas nada ainda está perdido... Só um pedacinho:
Oi. Somos três. Não sabemos como começar um livro, mas gostaríamos de escrever uma história sobre mudanças.
Vamos tentar começar com as nossas apresentações: Rayanne, altamente bagunçada, desorganizada, medrosa e infantil; Namora Igor (um carinha aí que caiu de quatro por ela); não sabe ser sociável, mas gostamos dela. Thuanny, a senhora explicações (a propósito: ela deve estar nesse momento explicando o motivo de estar fazendo um livro); lenta (e agora deve estar argumentando que a pressa é a inimiga da perfeição); muito saliente, cheia de não-me-toques e tem medo de rã. Raíssa, extremamente estressada e birrenta; entendê-la é complicado: hora ela quer o que quer, hora quer o querem que ela queira; enjoa fácil da vida e tem espírito aventureiro.
Três pessoas diferentes. Isso basta. No entanto juntas revolucionamos o mundo (ou pelo menos o nosso).
E agora? Como continuaremos? Vamos pelo método menos criativo: tal qual os contos de fadas...
Era uma vez três garotas que moravam no paraíso chamado Serra Talhada (e os três pontinhos ficam por conta da sua imaginação). Explicar tudo isso levaria muito tempo e sua paciência ia esgotar-se facilmente, portanto eu, Thuanny irei começar de um ponto meio estratégico: nossa chegada ao Recife, a capital do nosso estado.
Estudávamos juntas. Raíssa e Rayanne possuem laços mais duradouros, desde a oitava série (conhecida também como nono ano do ensino fundamental), eu cheguei na época do primeiro ano do ensino médio. Fazíamos parte de uma turma bem peculiar, a nomeávamos de octeto. Oito adolescentes com medo do inevitável: mudança.
O ensino médio chegou ao fim e era hora de traçar um futuro, alguns de nós ingressaram na faculdade, outros em cursinhos e matérias isoladas e a vida seguiu...
Nem configura um capítulo, é só o começo de um. Entretanto nós nem sabemos se já vivemos o fim do capítulo, quem dirá o livro todo, logo ele pode vir a ser escrito qualquer dia desses. Seria meu sonho. Talvez, quem sabe um dia, eu o sonhe tanto a ponto de agir.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010
"Protetora e desprotegida, sempre"
Meu Deus, um blog não é algo legal para mim. Vejam só! Ele mofa por um tempo, então eu volto. Ele cria teia de aranha, então eu volto. Coisa mais largada. Esse ínfame vestibular, fico inconstante. (Eu e meu incrível hábito de usar outras coisas pra justificar minha volatilidade e inconstância...). Vamos ao que interessa:
Eu estou abalada e por esses dias, aparentemente, estão todos ao meu redor tão atarefados e ocupados com os próprios problemas pessoais e com o encaminhamento das suas vidas. Eu deveria fazer o mesmo. Falei certo: deveria...
O vestibular volta a vociferar à minha mente, agora já nem assusta mais. Ele veio gritando desde o inicio do ano e dessa vez eu tentei não tapar meus ouvidos. (p.s Ele com letra maiúscula sim, porque o endeusamento que é feito em volta dEle! Enfim, deus ou cânone, a letra maiúscula enfatiza o respeito - alheio, sou atéia por esse ângulo-)
... Voltando: à beira de uma crise existencial branda eu exponho minhas palavras no papel, assim parece que eu estou desabafando. Não que eu esteja só, pelo contrário, moro em uma pensão repleta de boas pessoas (nem todas, mas generalizar virou moda); eu só não quero desocupá-las com ideias e pensamentos bobos.
São tantos assuntos rondando minha cabeça: vestibular, amor, relacionamentos, finanças, amigos, futuro, profissão etc; coisas de uma vida inteira. Cada vez que absorvo a gama de conteúdos da grade escolar eu torno mais difícil absorver esses temas corriqueiros. Tão logo eles pairam sobre mim, tão logo eu esvazio.
Eu, particularmente, não consigo achar meu dom de forma que o focalize em uma carreira promissora e satisfatória. Algo que eu deveras fizesse com destreza e deveras fosse útil. Decorar um quarto conforme uma personalidade e criatividades não é dom, é ócio produtivo. Fazer festas com amigos não é talento é comodismo. Escrever de forma expressiva algo meio autobiográfico não é dom, é realidade. São coisas que todos podem realizar, basta-se querer.
Eu preciso achar algo, mas antes devo achar a mim mesma como um objeto esquecido em alguma estante dos meus pais. Entre meus rabiscos encontrei certa frase :
"Para onde fui, ou onde fiquei que não me acompanhei? Louca pra fugir de mim."
Pode ser de minha autoria, já comecei uma pesquisa para achá-la, porém se ela não foi escrita por mim que ela é minha, é. Sou eu bem ali, nas entrelinhas.
Eu estou abalada e por esses dias, aparentemente, estão todos ao meu redor tão atarefados e ocupados com os próprios problemas pessoais e com o encaminhamento das suas vidas. Eu deveria fazer o mesmo. Falei certo: deveria...
O vestibular volta a vociferar à minha mente, agora já nem assusta mais. Ele veio gritando desde o inicio do ano e dessa vez eu tentei não tapar meus ouvidos. (p.s Ele com letra maiúscula sim, porque o endeusamento que é feito em volta dEle! Enfim, deus ou cânone, a letra maiúscula enfatiza o respeito - alheio, sou atéia por esse ângulo-)
... Voltando: à beira de uma crise existencial branda eu exponho minhas palavras no papel, assim parece que eu estou desabafando. Não que eu esteja só, pelo contrário, moro em uma pensão repleta de boas pessoas (nem todas, mas generalizar virou moda); eu só não quero desocupá-las com ideias e pensamentos bobos.
São tantos assuntos rondando minha cabeça: vestibular, amor, relacionamentos, finanças, amigos, futuro, profissão etc; coisas de uma vida inteira. Cada vez que absorvo a gama de conteúdos da grade escolar eu torno mais difícil absorver esses temas corriqueiros. Tão logo eles pairam sobre mim, tão logo eu esvazio.
Eu, particularmente, não consigo achar meu dom de forma que o focalize em uma carreira promissora e satisfatória. Algo que eu deveras fizesse com destreza e deveras fosse útil. Decorar um quarto conforme uma personalidade e criatividades não é dom, é ócio produtivo. Fazer festas com amigos não é talento é comodismo. Escrever de forma expressiva algo meio autobiográfico não é dom, é realidade. São coisas que todos podem realizar, basta-se querer.
Eu preciso achar algo, mas antes devo achar a mim mesma como um objeto esquecido em alguma estante dos meus pais. Entre meus rabiscos encontrei certa frase :
"Para onde fui, ou onde fiquei que não me acompanhei? Louca pra fugir de mim."
Pode ser de minha autoria, já comecei uma pesquisa para achá-la, porém se ela não foi escrita por mim que ela é minha, é. Sou eu bem ali, nas entrelinhas.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Tarde demais
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Era tarde. Ninguém, em sã consciência, imaginaria ou desejaria que aquilo acontecesse de novo.
Era tarde. Uma parte era saudade, outra era apatia e muito embora fosse tarde ainda seria cedo para desistir completamente.
Era tarde, o momento mais adequado para encontrá-lo. Procurá-lo já era fato corriqueiro, afinal nós vasculhamos os cantos e, ao acha-lo, o vasculhamos na ânsia de deveras encontrá-lo. Ele estava lá, estava só, estava só entediado; estava!
Era tarde e nós o queríamos ali. Era tarde e presumia que ele não viesse. Era tarde, e só assim ele viria.
Foi ficando tarde. Fomos ao encontro dele, enquanto, inicialmente, eu quisesse ir de encontro a ele.
Foi ficando tarde. Aos poucos ele as fez sorrir, não tão intensamente como antes, mas as fez. Aos poucos ele me fez voltar e derreter novamente toda frieza que tinha antes.
Foi ficando tarde, ele não queria dormir, nós também não. Afinal quem queria dormir com tantos assuntos pendentes e mal gritados? Com tantos sorrisos para sorrir, dormimos.
Foi ficando tarde e vejam que irônia: o dia amanheceu. Agora é cedo, só nos falta descobrir se é cedo demais ou cedo o suficiente para trazê-lo permanentemente.
Inspirada em (talvez) um amigo.
:)Um dos capítulos do nosso livro:
Nós, nós mesmos e o alinhamento dos planetas
(foto com o nome errado)
quinta-feira, 4 de março de 2010
Por pedirem tanto:
Bem, alguns amigos pediram vou colocar. Um texto antigo, meio diário mas que me agrada:
Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009, 22:22... Acabo de assistir a um filme: Watchmen e faz tempo que não sinto vontade de escrever, nem muito menos sei como fazer: não sei regras gramaticais nem nada desse tipo, será um texto livre; mas o filme quase que me obrigou a ir fundo.
Tenho 17 anos, já na iminência dos 18! Acabo de finalizar um ano de cursinho o qual realizei aos trancos e barrancos por um propósito, esse já nem sei mais qual é e que se perdeu no meio do caminho. O vestibular acontecerá no dia 20 e 21 desse mesmo mês e eu já sei o verecdito. Acabo de fracassar na segunda fase de outro, que por sinal consegui o quarto lugar na fase anterior! Que paradoxo não?
Eu deveria estar à beira de um colapso, um ano meio turbulento, uma vida meio agitada e uma mente que antes esborrava hoje está meio cheia.
Tenho medo, medo de voltar. Lá todos estão ansioso para ver meu resultado.
Estou dividida, não tenho certeza do que fiz... Se perdi um ano onde deveria ter me esforçado ou o ganhei por ter tanta experiência, aventura e histórias pra contar. Não importa! Essa prova não vai cobrar o valor de se conhecer a alma do ser humano, e as pessoas lá não estão interessadas se eu consegui amigos ou se consegui vencer os muitos obstáculos que me foram impostos. E qual é meu resultado? Bem, como eu já disse, eu ainda não decidi.
Mas onde entra o filme? Ele tem frases bem bonitas que me induziram a uma introspecção. Estou oscilando em encarar tudo a duros punhos ou entrar na realidade infantil. Ontem assisti: A princesa e o sapo. A dogmática "Evangeline", uma estrela que "deveria" realizar desejos; a musiqueta da velha do vodu: "se cavar bem fundo", ou com frases do tipo: "não é o que você quer e sim o que você precisa". Claro, me confortaram frente ao fracasso passado e o futuro, mas esse tal de Watchmen me trouxe de volta aos murmúrios, onde, eu sei, existe uma mãe que espera uma filha triunfante e uma família e amigos que, agora já estranhos e alheios a mim, esperam qualquer coisa para criticar ou não. Contudo, no fim de tudo, eu sei que terei de enfrentar alguém bem pior: eu. Eu sei o que fiz e não posso chorar, sei o que sou e que busquei o fracasso e eu sei que ele só está em foco nesse momento e depois vão todos esquecer parcialmente (desejo com todo meu coração!).
Ano que vem será outro ano e hoje eu vou esquecer do desencontros, dos familiares que me fizeram que me fizeram perder noites de sono por temer sua ida, dos amores perdidos e tão ansiados e dos futuros planejados, dos choros na calada da noite por motivos nem sempre tão banais, dos amigos que se foram, das promessas que perdi. Quero esquecer esse medo dos meus próprios sentimentos e de demonstra-los.
Ano que vem terei a chance de errar tudo de novo, de encanar num filme enquanto deveria ler tópicos de Scientific American, de ir visitar alguém por medo de me afastar demais enquanto a aula rolava, mas o que é que tem? Agora não tem mais jeito: vou pagar pra ver.
Para mim a vida é mais que tudo isso. Bem mais que reações e equações, mas admito que sejam importantes. É só que... Eu não poderia viver um poucos mais? Tem um filme com uma linda mensagem no cinema! E aquela amiga sabe? Não está se sentindo muito bem, eu poderia deixar pra revisar esse assunto a noite antes de dormir, ela já me apoiou tanto quando eu precisei. Meu tio estava a ponto de morrer e eu fiquei muito preocupada, não deu pra ler sobre o holocausto. Minhas cabeça borbulhou de saudade e nostalgia na quinta e eu não consegui paciência para mais nada. Na sexta eu precisei chorar de manhã e visitar meus amigos pra ter certeza de que não os perdi por completo. No sábado eu faltei à aula, quando cheguei da visita vi como as coisas estavam mudadas e chorei baixinho, como se cantasse uma canção de nina, ao amanhecer eu precisava dormir, minha cabeça ia explodir. No domingo eu decidi sair pra esgotar essa cabeça de tanto problemas- estudar era um deles. Na segunda eu estava tão bem que não ia de forma alguma voltar àquela rotina. Na terça dei uma passadinha e recuperei o fôlego, coisa boba, nada que me salvaria da reprovação. Na quarta recebi uma mensagem e me senti alienada nessa cidade estranha vontade de fazer trabalho, de realizar os projetos do colégio, de dançar e ensaiar coreografias. Na quinta briguei com uma grande amiga e nos afastamos muito, tudo ficou mais complicado do que já era e foi piorando gradativamente.
Conheci outra amiga que me ajudou muito.
O ano foi passando, me recuperei de quase tudo, me adaptei, esqueci os amores tão doídos e que ainda doem, mas sei o analgésico certo. Mudei de forma e de fôrma, fiz as pazes com a vida, fiz muitos novos amigos e fiz muitas novas vidas. Fiz as pazes com a velha amiga e a que me apoiou começou a me desapontar. A vida ficou de cabeça para baixo de tal forma que não consigo me reconhecer no espelho: esse olhar, não é meu, esse rosto? Essa alma?
Quando decidi esquecer de tudo isso que passou o ano a me preocupar percebi que era tarde demais.
Julguem-me, estou fazendo o mesmo agora.
P.S. Peço desculpas pelos erros, muitas vezes grotescos em alguns pontos. O texto saiu de uma vez só. Um soluço... Então, decidi deixa-lo assim, na inspiração nua e crua.
Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009, 22:22... Acabo de assistir a um filme: Watchmen e faz tempo que não sinto vontade de escrever, nem muito menos sei como fazer: não sei regras gramaticais nem nada desse tipo, será um texto livre; mas o filme quase que me obrigou a ir fundo.
Tenho 17 anos, já na iminência dos 18! Acabo de finalizar um ano de cursinho o qual realizei aos trancos e barrancos por um propósito, esse já nem sei mais qual é e que se perdeu no meio do caminho. O vestibular acontecerá no dia 20 e 21 desse mesmo mês e eu já sei o verecdito. Acabo de fracassar na segunda fase de outro, que por sinal consegui o quarto lugar na fase anterior! Que paradoxo não?
Eu deveria estar à beira de um colapso, um ano meio turbulento, uma vida meio agitada e uma mente que antes esborrava hoje está meio cheia.
Tenho medo, medo de voltar. Lá todos estão ansioso para ver meu resultado.
Estou dividida, não tenho certeza do que fiz... Se perdi um ano onde deveria ter me esforçado ou o ganhei por ter tanta experiência, aventura e histórias pra contar. Não importa! Essa prova não vai cobrar o valor de se conhecer a alma do ser humano, e as pessoas lá não estão interessadas se eu consegui amigos ou se consegui vencer os muitos obstáculos que me foram impostos. E qual é meu resultado? Bem, como eu já disse, eu ainda não decidi.
Mas onde entra o filme? Ele tem frases bem bonitas que me induziram a uma introspecção. Estou oscilando em encarar tudo a duros punhos ou entrar na realidade infantil. Ontem assisti: A princesa e o sapo. A dogmática "Evangeline", uma estrela que "deveria" realizar desejos; a musiqueta da velha do vodu: "se cavar bem fundo", ou com frases do tipo: "não é o que você quer e sim o que você precisa". Claro, me confortaram frente ao fracasso passado e o futuro, mas esse tal de Watchmen me trouxe de volta aos murmúrios, onde, eu sei, existe uma mãe que espera uma filha triunfante e uma família e amigos que, agora já estranhos e alheios a mim, esperam qualquer coisa para criticar ou não. Contudo, no fim de tudo, eu sei que terei de enfrentar alguém bem pior: eu. Eu sei o que fiz e não posso chorar, sei o que sou e que busquei o fracasso e eu sei que ele só está em foco nesse momento e depois vão todos esquecer parcialmente (desejo com todo meu coração!).
Ano que vem será outro ano e hoje eu vou esquecer do desencontros, dos familiares que me fizeram que me fizeram perder noites de sono por temer sua ida, dos amores perdidos e tão ansiados e dos futuros planejados, dos choros na calada da noite por motivos nem sempre tão banais, dos amigos que se foram, das promessas que perdi. Quero esquecer esse medo dos meus próprios sentimentos e de demonstra-los.
Ano que vem terei a chance de errar tudo de novo, de encanar num filme enquanto deveria ler tópicos de Scientific American, de ir visitar alguém por medo de me afastar demais enquanto a aula rolava, mas o que é que tem? Agora não tem mais jeito: vou pagar pra ver.
Para mim a vida é mais que tudo isso. Bem mais que reações e equações, mas admito que sejam importantes. É só que... Eu não poderia viver um poucos mais? Tem um filme com uma linda mensagem no cinema! E aquela amiga sabe? Não está se sentindo muito bem, eu poderia deixar pra revisar esse assunto a noite antes de dormir, ela já me apoiou tanto quando eu precisei. Meu tio estava a ponto de morrer e eu fiquei muito preocupada, não deu pra ler sobre o holocausto. Minhas cabeça borbulhou de saudade e nostalgia na quinta e eu não consegui paciência para mais nada. Na sexta eu precisei chorar de manhã e visitar meus amigos pra ter certeza de que não os perdi por completo. No sábado eu faltei à aula, quando cheguei da visita vi como as coisas estavam mudadas e chorei baixinho, como se cantasse uma canção de nina, ao amanhecer eu precisava dormir, minha cabeça ia explodir. No domingo eu decidi sair pra esgotar essa cabeça de tanto problemas- estudar era um deles. Na segunda eu estava tão bem que não ia de forma alguma voltar àquela rotina. Na terça dei uma passadinha e recuperei o fôlego, coisa boba, nada que me salvaria da reprovação. Na quarta recebi uma mensagem e me senti alienada nessa cidade estranha vontade de fazer trabalho, de realizar os projetos do colégio, de dançar e ensaiar coreografias. Na quinta briguei com uma grande amiga e nos afastamos muito, tudo ficou mais complicado do que já era e foi piorando gradativamente.
Conheci outra amiga que me ajudou muito.
O ano foi passando, me recuperei de quase tudo, me adaptei, esqueci os amores tão doídos e que ainda doem, mas sei o analgésico certo. Mudei de forma e de fôrma, fiz as pazes com a vida, fiz muitos novos amigos e fiz muitas novas vidas. Fiz as pazes com a velha amiga e a que me apoiou começou a me desapontar. A vida ficou de cabeça para baixo de tal forma que não consigo me reconhecer no espelho: esse olhar, não é meu, esse rosto? Essa alma?
Quando decidi esquecer de tudo isso que passou o ano a me preocupar percebi que era tarde demais.
Julguem-me, estou fazendo o mesmo agora.
P.S. Peço desculpas pelos erros, muitas vezes grotescos em alguns pontos. O texto saiu de uma vez só. Um soluço... Então, decidi deixa-lo assim, na inspiração nua e crua.
Um nós por vários "eu"
Hoje em dia é raro, para não citar impossível, encontrar um ser humano que seja a expressão exata de si. Sofrer e estar aberto às influências é tão inerente à nós quanto a necessidade de auto-afirmação. Assim é comum observar grupos cujos participantes identifiquem-se. Essas afinidades estão sendo regidas de tal forma que englobam boa parte da população mundial.
A mídia, a globalização, ou seja lá o que for, gerou uma vitrine de mesmices na qual a única dificuldade é escolher um dos produtos expostos ali. Aliado à deficiência de ponderar estilos, ideias e ideais, as imposições tornam-se bastante atrativas e são facilmente acatadas. Então seria cômico ver um e outro titubearem que são dotados de um identidade livres de esteriótipos. Afinal eles nunca pararam para perceber que as verdades chamadas de "minhas", hoje são "nossas" e ponto, sem reflexão.
Os valores genéricos deixaram a sociedade enfadonha e suscetível em demasia. Compactuando com qualquer pensamento chulo, os alicerces que permitiam a ela uma diversidade escandalosa garantem apenas a estrutura simples e direta do sim e do não.
A carência do reticências bloqueia a capacidade crítica e as pessoas passam a ser frutos sem nunca terem sido sementes. A autenticidade deu lugar a plágios, inicialmente inofensivos, que furtaram a criatividade individual. O simples ato de refletir não só a traria de volta como permitiria a fluidez de novos horizontes.
A mídia, a globalização, ou seja lá o que for, gerou uma vitrine de mesmices na qual a única dificuldade é escolher um dos produtos expostos ali. Aliado à deficiência de ponderar estilos, ideias e ideais, as imposições tornam-se bastante atrativas e são facilmente acatadas. Então seria cômico ver um e outro titubearem que são dotados de um identidade livres de esteriótipos. Afinal eles nunca pararam para perceber que as verdades chamadas de "minhas", hoje são "nossas" e ponto, sem reflexão.
Os valores genéricos deixaram a sociedade enfadonha e suscetível em demasia. Compactuando com qualquer pensamento chulo, os alicerces que permitiam a ela uma diversidade escandalosa garantem apenas a estrutura simples e direta do sim e do não.
A carência do reticências bloqueia a capacidade crítica e as pessoas passam a ser frutos sem nunca terem sido sementes. A autenticidade deu lugar a plágios, inicialmente inofensivos, que furtaram a criatividade individual. O simples ato de refletir não só a traria de volta como permitiria a fluidez de novos horizontes.
segunda-feira, 1 de março de 2010
O entrudo e os intrusos
Há quem diga que o carnaval seja a nossa versão da política do "pão e circo" romana. Dias com data e hora marcadas que maquiam as mazelas sociais do Brasil.
Vindo de longe, chega aqu atendendo pelo nome de entrudo. Uma festa repleta de inconveniências da qual participam tanto os escravos quanto as famílias brancas. Inicia-se o processo de alienação, afinal brancos, mestiços e negros em um mesmo ambiente festivo não fazem referência a uma igualdade que começava a surgir. A festa passou por várias influências até ser o que é hoje, inclusive políticas.
O carnaval espalha-se por todo país, sem excessões. A mídia concentra-se nas avenidas, nos sambódromos, nos sambas-enredo, mas o carnaval de brasília permanece ali, discreto. Os cidadãos e turistas aderem às maravilhas do consumo, o governo adere às maravilhas das cargas tribuárias e mais de um terço dos produtos são tributos. Então surgem as leis e ministérios de previdência social oportunistas, as propostas do supremo tribunal para votação de reajuste de sua remuneração e os desvios de verba. O dinheiro público levantado supre as ganâncias de alguns detentores do poder.
Enquanto isso a miséria persiste. O carnaval gera empregos, mas não necessitamos de efeitos de curto prazo. De fato temos um circo, no entando carecemos de pão e tantas outras coisas.
Vindo de longe, chega aqu atendendo pelo nome de entrudo. Uma festa repleta de inconveniências da qual participam tanto os escravos quanto as famílias brancas. Inicia-se o processo de alienação, afinal brancos, mestiços e negros em um mesmo ambiente festivo não fazem referência a uma igualdade que começava a surgir. A festa passou por várias influências até ser o que é hoje, inclusive políticas.
O carnaval espalha-se por todo país, sem excessões. A mídia concentra-se nas avenidas, nos sambódromos, nos sambas-enredo, mas o carnaval de brasília permanece ali, discreto. Os cidadãos e turistas aderem às maravilhas do consumo, o governo adere às maravilhas das cargas tribuárias e mais de um terço dos produtos são tributos. Então surgem as leis e ministérios de previdência social oportunistas, as propostas do supremo tribunal para votação de reajuste de sua remuneração e os desvios de verba. O dinheiro público levantado supre as ganâncias de alguns detentores do poder.
Enquanto isso a miséria persiste. O carnaval gera empregos, mas não necessitamos de efeitos de curto prazo. De fato temos um circo, no entando carecemos de pão e tantas outras coisas.
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