Para iluminar um pouco:
Eu não vejo Alice, não acompanho sua vida todo o tempo. Muito embora eu seja parte dela. Isso mesmo! Somos uma só. Sabe aquela parte da sua mente em formato de botão de emergência, escrito: aperte em caso de apocalipse? Bem. Sou ela, é eu. Muitas coisas que narrarei por aqui não farão muito sentido, justamente porque não fazem muito sentido para mim. Ela me chama para refletirmos juntas um assunto que eu vi só um pedaço. Ela me traz para achar seu pedaço perdido no meio da bagunça que ela deixou acontecer. Sou apenas alguns segundos dessa vida infinita que ela tem.
sexta-feira, 25 de março de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
Bom dia, Alice!
Ela não tinha olhos azuis, muito menos olhos de ressaca como os de Capitu. Não eram verdes nem amendoados, muito menos cor de mel. Eram deveras normais. Pretos como muitos por aí, mas não eram nem de longe como jabuticabas. Tinha os cílios compridos, mas só para não dizer que eram curtos, conhecemos cílios maiores por aí! Às vezes eles eram profundos, às vezes rasos, algumas espelhos, outras reflexos, às vezes encantadores, às vezes não. Eram olhos comuns e agora ela os tinha abertos.
Pensou em dizer bom dia! enquanto aninhava-se mais no colchão, estava só, na cama, na casa, ninguém a ouviria e mesmo assim teimou em dizer.
-Bom dia, Alice!
Não se chamava Alice, bem, não no cartório, mas decidiu que seria assim. Alice era um bom nome, sua mãe não tinha escolhido direito e ela não tinha sido consultada a respeito da escolha do seu próprio nome e sentia-se aliviada. Que tipo de nome um bebê recém chegado escolheria? Mas Alice era um bom nome, como em Alice no país das maravilhas, não graças à garota bobinha seguindo um coelho falante, crescendo e diminuindo. Gostava da pronúncia em inglês: Élícee, porque o som é gostoso de escutar. Virou para o outro lado e ainda quis dormir. Dormiria até a manhã escorrer, diria boa tarde, Elícee!, e continuaria domindo até o sol se pôr. Boa noite, Alice! e dormiria na hora certa. Faria isso hoje, amanhã e depois e depois, mas até quando? Sonharia e poderia viver naquele mundo de sonhos por tanto tempo, afinal ela só notava que estava sonhando segundos após acordar. Percebeu que sua alma morava em um corpo qualquer, com o qual ela não estava satisfeita e ele era frágil o bastante para gritar surdamente em seu cerébro, pedindo coisas. No momento ele precisava de uma ducha quente e de uma salada de frutas. Seria impossível permanecer ali e só sonhar.
Levantou meio bamba e arrastou-se até o chuveiro. Escorria uma água fria e ela não queria encarar que teria de acordar, mas mesmo assim sentiu a água arrepiar a nuca e eriçar os pelos. Bem... Não havia salada de frutas, nem frutas, nem suco. Não havia nada saudável, deveria ficar feliz e contentar-se com o pão do outro dia (não necessariamente o imediatamente anterior, se é que me entendem!).
Foi da cozinha ao quarto analisando tudo, peça por peça, canto por canto, brisa por brisa. Ela tinha quase tudo, menos o que queria! E ela já quis tanta coisa. Ainda esperava a realização dos sonhos antigos, por isso agora não queria mais nada.
Vestiu-se.
Ecovou os dentes, abriu a porta da frente, apoiou-se com o pé direito e deu seu primeiro passo em direção ao hall, assim mesmo, com o pé esquerdo. Virou-se e trancou a porta. Seu dia tinha apenas começado, ela mal sabia o que a esperava. Inocentemente deu a última volta na chave e caminhou até o elevador. Muita coisa mudaria, como acontece todo dia, mesmo ela nem percebendo. Só que hoje... Hoje eu estou curiosa e queria, ansiosamente, saber sobre a mudança que esperava Alice.
Bom dia, Alice. Bom, dia. Aguardo ansiosa.
(Eu já disse que tem muita porcaria no mundo sem a minha ajuda? Eu apenas perdi a vergonha de me expor, ou perdi a noção das coisas mesmo!)
Pensou em dizer bom dia! enquanto aninhava-se mais no colchão, estava só, na cama, na casa, ninguém a ouviria e mesmo assim teimou em dizer.
-Bom dia, Alice!
Não se chamava Alice, bem, não no cartório, mas decidiu que seria assim. Alice era um bom nome, sua mãe não tinha escolhido direito e ela não tinha sido consultada a respeito da escolha do seu próprio nome e sentia-se aliviada. Que tipo de nome um bebê recém chegado escolheria? Mas Alice era um bom nome, como em Alice no país das maravilhas, não graças à garota bobinha seguindo um coelho falante, crescendo e diminuindo. Gostava da pronúncia em inglês: Élícee, porque o som é gostoso de escutar. Virou para o outro lado e ainda quis dormir. Dormiria até a manhã escorrer, diria boa tarde, Elícee!, e continuaria domindo até o sol se pôr. Boa noite, Alice! e dormiria na hora certa. Faria isso hoje, amanhã e depois e depois, mas até quando? Sonharia e poderia viver naquele mundo de sonhos por tanto tempo, afinal ela só notava que estava sonhando segundos após acordar. Percebeu que sua alma morava em um corpo qualquer, com o qual ela não estava satisfeita e ele era frágil o bastante para gritar surdamente em seu cerébro, pedindo coisas. No momento ele precisava de uma ducha quente e de uma salada de frutas. Seria impossível permanecer ali e só sonhar.
Levantou meio bamba e arrastou-se até o chuveiro. Escorria uma água fria e ela não queria encarar que teria de acordar, mas mesmo assim sentiu a água arrepiar a nuca e eriçar os pelos. Bem... Não havia salada de frutas, nem frutas, nem suco. Não havia nada saudável, deveria ficar feliz e contentar-se com o pão do outro dia (não necessariamente o imediatamente anterior, se é que me entendem!).
Foi da cozinha ao quarto analisando tudo, peça por peça, canto por canto, brisa por brisa. Ela tinha quase tudo, menos o que queria! E ela já quis tanta coisa. Ainda esperava a realização dos sonhos antigos, por isso agora não queria mais nada.
Vestiu-se.
Ecovou os dentes, abriu a porta da frente, apoiou-se com o pé direito e deu seu primeiro passo em direção ao hall, assim mesmo, com o pé esquerdo. Virou-se e trancou a porta. Seu dia tinha apenas começado, ela mal sabia o que a esperava. Inocentemente deu a última volta na chave e caminhou até o elevador. Muita coisa mudaria, como acontece todo dia, mesmo ela nem percebendo. Só que hoje... Hoje eu estou curiosa e queria, ansiosamente, saber sobre a mudança que esperava Alice.
Bom dia, Alice. Bom, dia. Aguardo ansiosa.
(Eu já disse que tem muita porcaria no mundo sem a minha ajuda? Eu apenas perdi a vergonha de me expor, ou perdi a noção das coisas mesmo!)
domingo, 13 de março de 2011
Quando falam dois destinos
Foi quando eu senti saudades suas e lembrei quanto tempo se passou desde a última vez que o vi. Pensei em desejar você aqui, agora, comigo, mas desisti. De qualquer forma estaríamos distantes mesmo.
Respondendo questões pessoais publicamente, com licença!
Que revolta é essa hein? Foi o que me perguntaram. Que revolta é esta? Que pergunta é essa? Eu pensei...
Como uma pessoa como eu deveria se portar? Ah, claro, eu deveria estar triste, pra baixo, abatida, sucumbindo à solidão e à infelicidade, mas isso tudo eu já fiz! O melhor ataque é uma defesa, certo!? E qual seria a melhor defesa? Um ataque? Bem, eu entendi assim. Então não venham questionar o porquê dessa hostilidade. Ora bolas. Eu acordo sem querer levantar, uma luta interna constante, lutando comigo mesma pra conseguir viver. Levantando e enfrentando aquela droga de faculdade que eu nem quero. Dizendo: Mim mesma, você vai levantar sim, vai passar uma hora dentro do ônibus sim, vai assistir a aula sim, vai estudar sim, vai segurar o choro sim; anda mim mesma... Dia após dia, acordando e dizendo: ufa, um dia a menos pra viver, mas pensando: poxa, outro dia que perdi. Quem consegue ser doce assim? Talvez eu esteja doce, doce até demais, por isso todo esse amargor.
Meus amigos? Bem, eu os tenho. Eles estão vivendo as vidas perfeitas deles, com os problemas suportáveis deles. Cada um vivendo os caminhos que escolheram e sofrendo por coisas que eles decidiram sofrer. Eu posso ter decidido sofrer por tudo isso, mas foi inconscientemente. Mesmo assim não era assim que eu via meu 2011. Eu o via meio dois mil e ouse, não assim: apenas aceite.
Tem uma bagunça do tamanho do infinito aqui dentro. Só me restam as festas. Muito embora eu creia na efemeridade delas, elas se mostram minha única certeza. O meu plano para o futuro é aguentar firme até a próxima festa, juntando o dinheiro pra comprar a bebida da noite e, quem sabe, uma roupa nova. Fútil né? Eu sei, mas é o meu vislumbre do futuro e eu tenho plena consciência desse meu equívoco forçado! Sabe como é tenso quando uma pessoa sabe qu algo é errado e mesmo assim só encontra o errado pra se refugiar?
De novo eu não sei onde é minha casa, mas presumo que seja em mim mesma. De novo a sensação de que eu não me encaixo, sempre com arestas sobrando, pontas a serem aparadas, uma intrusa na minha própria vida. Seria tão interessante se pudéssemos escolher a família a qual faríamos parte. Seria tão melhor se pudéssemos escolher se iríamos nascer ou não! Bem, eu não tenho certeza se eu escolhi, alguma parte da minha memória pré-natal e imediatamente pós-natal foi afetada e eu não lembro sobre ter decidido nascer, mas se eu fiz isso: péssima ideia mim mesma, péssima ideia!
Sabe o que é? Essa hostilidade? É saber que não tem saída, que eu não vou morrer só porque eu quero e se eu quiser sairei desse "inferno" para o próprio inferno. Sabe o que é? Essa revolta? É ver tudo o que você queria... Ou melhor, é não ver tudo o que você queria, tudo sumiu da sua frente e você não sabe o que quer mais. Sabe o que é? Essa angustia? É ter que encarar a realidade e ver que escrever não salva mais sua alma e ela vai continuar inquieta.
Alice, já se refez e se desfez incontáveis vezes. Hoje ela não está com amor próprio, ela tem esperanças sem graça, não tem vontade de ser mais nada, não sente bons sentimentos por quase ninguém, não suporta muita coisa, não suporta mais coisas. Hoje foi um dia esquisito pra ela, mais esquisito do que o começo desse ano e todos esses 20 anos. Alguém ou algo vem boicotando sua vida, agora ela ia sair por aí. Ela não tinha um plano, nem o "a", nem o "b". Ela ia andar, fugir da casa que não era dela, da vida que não era dela, do sonho que outro escolheu pra ela. Ela ia sair por aí.
Calma! Ela só ia esperar esse hoje passar, porque o amanhã sempre é uma outra história.
(Pressa, amanhã eu corrijo.)
Como uma pessoa como eu deveria se portar? Ah, claro, eu deveria estar triste, pra baixo, abatida, sucumbindo à solidão e à infelicidade, mas isso tudo eu já fiz! O melhor ataque é uma defesa, certo!? E qual seria a melhor defesa? Um ataque? Bem, eu entendi assim. Então não venham questionar o porquê dessa hostilidade. Ora bolas. Eu acordo sem querer levantar, uma luta interna constante, lutando comigo mesma pra conseguir viver. Levantando e enfrentando aquela droga de faculdade que eu nem quero. Dizendo: Mim mesma, você vai levantar sim, vai passar uma hora dentro do ônibus sim, vai assistir a aula sim, vai estudar sim, vai segurar o choro sim; anda mim mesma... Dia após dia, acordando e dizendo: ufa, um dia a menos pra viver, mas pensando: poxa, outro dia que perdi. Quem consegue ser doce assim? Talvez eu esteja doce, doce até demais, por isso todo esse amargor.
Meus amigos? Bem, eu os tenho. Eles estão vivendo as vidas perfeitas deles, com os problemas suportáveis deles. Cada um vivendo os caminhos que escolheram e sofrendo por coisas que eles decidiram sofrer. Eu posso ter decidido sofrer por tudo isso, mas foi inconscientemente. Mesmo assim não era assim que eu via meu 2011. Eu o via meio dois mil e ouse, não assim: apenas aceite.
Tem uma bagunça do tamanho do infinito aqui dentro. Só me restam as festas. Muito embora eu creia na efemeridade delas, elas se mostram minha única certeza. O meu plano para o futuro é aguentar firme até a próxima festa, juntando o dinheiro pra comprar a bebida da noite e, quem sabe, uma roupa nova. Fútil né? Eu sei, mas é o meu vislumbre do futuro e eu tenho plena consciência desse meu equívoco forçado! Sabe como é tenso quando uma pessoa sabe qu algo é errado e mesmo assim só encontra o errado pra se refugiar?
De novo eu não sei onde é minha casa, mas presumo que seja em mim mesma. De novo a sensação de que eu não me encaixo, sempre com arestas sobrando, pontas a serem aparadas, uma intrusa na minha própria vida. Seria tão interessante se pudéssemos escolher a família a qual faríamos parte. Seria tão melhor se pudéssemos escolher se iríamos nascer ou não! Bem, eu não tenho certeza se eu escolhi, alguma parte da minha memória pré-natal e imediatamente pós-natal foi afetada e eu não lembro sobre ter decidido nascer, mas se eu fiz isso: péssima ideia mim mesma, péssima ideia!
Sabe o que é? Essa hostilidade? É saber que não tem saída, que eu não vou morrer só porque eu quero e se eu quiser sairei desse "inferno" para o próprio inferno. Sabe o que é? Essa revolta? É ver tudo o que você queria... Ou melhor, é não ver tudo o que você queria, tudo sumiu da sua frente e você não sabe o que quer mais. Sabe o que é? Essa angustia? É ter que encarar a realidade e ver que escrever não salva mais sua alma e ela vai continuar inquieta.
Alice, já se refez e se desfez incontáveis vezes. Hoje ela não está com amor próprio, ela tem esperanças sem graça, não tem vontade de ser mais nada, não sente bons sentimentos por quase ninguém, não suporta muita coisa, não suporta mais coisas. Hoje foi um dia esquisito pra ela, mais esquisito do que o começo desse ano e todos esses 20 anos. Alguém ou algo vem boicotando sua vida, agora ela ia sair por aí. Ela não tinha um plano, nem o "a", nem o "b". Ela ia andar, fugir da casa que não era dela, da vida que não era dela, do sonho que outro escolheu pra ela. Ela ia sair por aí.
Calma! Ela só ia esperar esse hoje passar, porque o amanhã sempre é uma outra história.
(Pressa, amanhã eu corrijo.)
quinta-feira, 3 de março de 2011
Parte 2: Colada
Era cedo da manhã e lá fora uma chuva forte rompia o silêncio da casa e o dela. Abriu os olhos e percebeu: ainda estava viva afinal! Perguntou-se até quando ia fugir daquele jeito. Os problemas ela ia deixando entre o delineador e o blush, mas as festas sempre acabariam, então ela teria de voltar e abraçar todos eles novamente. Bem, aquela festa também acabou e naquela manhã chuvosa ela sentiu que havia chegado.
Depois de quase um mês ela só conseguiu se desempacotar agora. Um mês, mas por ela havia passado apenas um dia, o claro do dia e a noite longa, lembrava isso e mais nada. Tinha chegado! As alegrias penduradas nos cabides, a saudade forrando a cama... Ela esticou os braços de mansinho e um sorriso apareceu. Era sorriso de quem tinha se achado de novo, de quem tinha encontrado o novo, de quem ainda não tinha abandonado o velho.
As malas vazias e ela pensando em enchê-las novamente. Pensava em voltar ao lugar que deixou relutante de si, mas não sabia se seria aquela uma boa ideia. Poderia ficar, festejar e aproveitar outras manhãs chuvosas ainda com o sabor de balada na boca, como estava fazendo agora e era tão bom. Também poderia aproveitar o feriado de carnaval e desfazer a partida e a parte voltaria a ser todo. O todo restante agora já era parte de outras partidas e ela nem notava enquanto ia perdendo pedaços por aí.
O dia foi escorrendo.
A noitinha ela notou que só era uma parte, entendia seu mau-humor dos últimos tempos. Quem conseguiria galanteios e boas maneiras enquanto se tentava caminhar equilibrando-se em uma perna só? Pegou o novo e guardou num baú qualquer, aconchegou o rosto no travesseiro e tratou de dormir, mas antes prometeu:
-Eu volto, só pra sentir doer outra vez! Pra colar e perder meu pedaço de novo, só pra senti-lo uma última vez!
Empacotou-se novamente, mas eu não sei nem o porquê. Ela não vê que outra parte começa a nascer nela? Durma bem.
-Não ficou bem como eu queria. Na verdade não ficou nem o começo do que eu queria. Só desisti pra me livrar :S haha. Vou melhorar, prometo! :)
- LaércioVicente diz:
Como o que eu senti é que era vc escrevendo, pra mim ta otimo
- ThuannyM. diz:
devo postar ?
- LaércioVicente diz:
Sim.
terça-feira, 1 de março de 2011
K.R.- Meu boyzinho de jaqueta!
Sei que devo a continuação do texto abaixo e peço desculpas por isso. Há tanta bagunça em mim que eu não consegui encontrar mim mesma debaixo desta casca criada pra me esconder durante estes últimos dias difíceis. Também peço, humildemente, licença para abrir um parêntesis nesse meio termo:
(Seria hoje, dia 01 de março, o aniversário de um certo alguém. Um rapaz esquisito pois teima em escutar tudo o que digo, em ler meus textos, em suportar meus dias de megera, meus dramas pequenos e os grandes também. O distinto rapaz apareceu meio de banda em mim, meio me usando pra alcançar outro alvo, traçou uma linha tortuosa e de tão tortuosa esbarrou em alguém. O moço magro, meio surdo, de voz sonorica, cabelo claro, do riso bobo e andar levemente despreocupado deu um nó em mim.
Desconheço o propósito do infinito quando uniu um ateu a uma ferrenha defensora de Deus (não que Ele precise de um defensor, mas o rapaz insiste em cerrar os olhos, ouvidos e coração- sem debates agora, meu bem), um homem resolvido a uma mulher que mudava de rumo quase todo dia por estar perdida, uma ele a uma mim mesma!
A gente nunca lembra quando as coisas aconteceram de verdade. Elas vão acontecendo. A gente não sabe se foi no dia que me esperou para ir almoçar, ou no meu primeiro dia na pensão o qual tomava café e eu, sedenta por conversas, perturbei seu café da manhã e ele se esforçava entre mastigar o pão e responder minhas perguntas ansiosas enquanto eu segurava a risada escandalosa proveniente daquela situação. Talvez tenha sido na noite, tarde da noite, capital perigosa, pão farto à mesa e eu farta de pão, o fast food perto dali, eu medrosa, ele bom coração e os dois pulando com medo das baratas que povoavam a esquina (eu sei, eu sei, não foi você, mas eu adoraria ter visto você pulando com medo de uma barata). Não de repente ele começou a bater à janela do meu quarto às quatro horas da madrugada pedindo que eu abrisse a porta para ele entrar. Não de repente ele olhava atenciosamente eu e meu ritual noturno de cuidados com a pele. Não de repente nós conversávamos como dois idiotas que se conheciam desde o infinito.
A distância física veio, foi, voltou, cutucou, catucou... Sempre havia um celular e as longas conversas sobre praticamente nada, sempre havia uma ligação e uma ligação telefônica em formato de desabafo e sempre havia um ouvido mouco desdobrando-se para ouvir meus lamentos e aventuras do outro lado. Quando reparei havia alguém confiável, capaz de ouvir tudo que eu estivesse disposta a falar, sensível o bastante para saber insistir nas ligações para conversar mesmo eu estando de TPM, homem o bastante para desbravar meio mundo para irmos a um lugar qualquer que não valeria a pena. Alguém com a dose certa de amnésia para que eu fosse capaz de contar muita besteira que faço nesse mundo, mundo, vasto mundo e que, de uns tempos pra cá, esqueceu de esquecer e lembra coisas até demais! Atencioso, amável...
O rapaz já presenciou tantos presentes de aniversário que eu montava, via minha euforia e preocupação com a reação alheia. Viu meu esforço para fazer feliz quem não se importaria tanto em me fazer feliz e não retribuiu o que eu fiz por ele apenas pelo fato de eu não ter feito nada por ele, porque no meu aniversário lá estava, posto prontamente, como sempre esteve. Hoje o tempo veio e revelou quem era quem e hoje me encontro sem ânimo e sem dinheiro para presenteá-lo.
Conforta-me conhecê-lo para saber que dizer 'parabéns' bastará.
Novamente digo desconhecer o infinito e entristeço quando tento descobrir como alguém tão pequena como eu pôde conhecer alguém tão grande. O moço aí merecia coisa melhor! Então parabéns para mim... e você, meu caro, desculpa a má sorte, mas eu é que não vou reclamar!)
Fecha parêntesis. Parabéns! (L)
(Perdoe-me, esse sim não foi revisado, ou melhor, foi, mas estou sonolenta, é tarde e tenho faculdade amanhã! Isso me redime? Espero que sim.)
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Parte 1: Partida
O ano havia acabado, só agora ela notava isso de verdade. O ano, o mês e ela. Ela estava acabada, sentia como se furtassem sorrateiramente seu sorriso, ela sabia que conseguiria outros, mas não mudava a inquietação instalada nela justamente naquela noite. Após muita relutância ela começou a desfazer o seu mundo para empacotá-lo. Enquanto retirava as peças de roupa do armário tentava lembrar quanto tempo fazia desde que ela chamou um lugar de lar com a ternura merecida. Finalmente sua casa cheirava a casa, seu quarto era terno, arisco e memorativo como um quarto de uma jovem deveria ser. Analisava as cores, a cama, o espelho e de forma inconsciente seu reflexo. Sua mente incomodava bastante, aqueles pensamentos rápidos a faziam latejar e uma música talvez melhorasse o estado do estado de espírito dela. Selecionou todas a músicas do computador e voltou-se às malas outra vez. Tentando entender a vida e seus pormenores: por que algumas coisas simplesmente não aconteciam como ela queria? Por que ela teria de partir justamente agora? Por que...? Como...? Quando...? Será...? Onde...? O que...? Eu...? Ela dobrava e empacotava peça por peça. Perambulando entre as lembranças que as músicas fizeram ressurgir ela teimava em não entender. Teimava em querer mais, teimava em não estar satisfeita e teimava em não desistir.
Agora era hora de ir embora. As malas postas no carro e ela empacotada dentro de si. Era curto o trajeto até a saída da cidade, mas eram longas as lembranças, e como era doído revivê-las rua a rua. O carro ia sumindo na pista e muita coisa aparecendo nela.
(Continua...)
Agora era hora de ir embora. As malas postas no carro e ela empacotada dentro de si. Era curto o trajeto até a saída da cidade, mas eram longas as lembranças, e como era doído revivê-las rua a rua. O carro ia sumindo na pista e muita coisa aparecendo nela.
(Continua...)
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Eu desejava um convite seu para sentar-me aconchegada entre almofadas e assistir ao filme mais ridículo que a locadora disponibilizasse, seria o pretexto para comermos pipoca e chocolate. O filme rodaria enquanto ninguém o notava e riríamos incontrolavelmente das nossas próprias bobagens. Eu esperava a piscina tão convidativa não pela água quentinha a noite ou gelada durante o dia, não pela carne tão salgada e batata bem crocante, mas pelo conforto dos braços e abraços desgrenhados na água sem culpas. Eu pensei que você me chamaria a sorveteria e com um pote enorme de sorvete e várias colherinhas nele nos derreteríamos. Eu gostava do seu chamado para fazer nada e com nada nos enchíamos até a tampa.
Você notou algo diferente em mim e pensou que de ali em diante seria assim. Então eu não tenho certeza quando começou, só sinto um pigarro, uma coisa engasgada em mim e eu não consigo pô-la fora.
(Eu não consegui terminar, então só eu sei quão bonito esse texto seria. Como só eu o senti!)
Você notou algo diferente em mim e pensou que de ali em diante seria assim. Então eu não tenho certeza quando começou, só sinto um pigarro, uma coisa engasgada em mim e eu não consigo pô-la fora.
(Eu não consegui terminar, então só eu sei quão bonito esse texto seria. Como só eu o senti!)
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
O meu forró ( Em andamento)

Talvez esta seja a postagem mais ridícula já feita até então. Porém, talvez, seja esta a mais altruísta e interessante. Escritos sempre salvam almas, sempre salvei a minha e hoje, por meio deste, venho aqui trajar-me como advogada do diabo para salvar outra ou outras.
O mundo é um deleite de vozes ativas e passivas com opiniões espalhadas por todos os lugares, logo não avisto problema em defender o tal réu e minha opinião.
“O Ministério da Saúde adverte: Ouvir forró causa doenças auditivas e atrofia do cérebro. "
Aguiralfre Furtado
Pasmem! Sim. Estou aqui para defender o forró, mas não o consagrado por Luiz Gonzaga, porque este não é alvo de tantas calunias como o forró eletrônico ou estilizado (tido por muitos como não sendo forró). Os antigos "rastapés" sob os fungados da sanfona, o baião, o xote são ritmos que agradaram os antigos boêmios nordestinos, entretanto esse novo "forró", fazendo uso da guitarra elétrica, teclado, contrabaixo etc, agrada a nós, os jovens.
Está para o Brasil (e por que não dizer para o MUNDO?) contemporâneo como a semana da arte moderna estava: incompreendido. Ele apenas está acompanhando as tendências e alguém, em algum lugar, certa vez não afirmou que as coisas simplesmente evoluíam? Novas tendências, novo público alvo, contexto histórico e estamos preparados para chamar isso de "escola literária" (já dizia meu livro de literatura que, posto ali, sobre a estante pareceu-me tão útil agora, pós ensino médio).
Podemos sim generalizar e afirmar que esse novo estilo não possui letra, como também podemos generalizar e afirmar que esse estilo possui letra. Ora, não me venha afirmar veemente que todas as obras publicadas no parnasianismo, simbolismo, ou seja lá o que for, foram best-sellers, TODAS. Tal como tantas outras formas de expressão, o forró possui seus altos e baixos, e para cada arte existe uma alma que queira senti-la, mesmo sendo essa alma a do próprio autor!
Bandas com Garota Safada, Aviões do forró, Forró dos Plays e outras estão por aí, movendo o imaginário. Meu bom-senso ainda existe quando afirmo que algumas letras realmente são desprovidas de uma bagagem sentimental, mas digo só sentimental. Eu escuto forró e conheço muitas letras tidas como esdrúxulas, ao contrário dos que afirmam isso eu consigo ir mais além. As letras não mais secretam o erotismo, estão cada vez menos ambíguas e alguns temem que isso influencie os nossos jovens. Pois bem, vejo as letras de forró não como "lançadoras de ideias”, mas como um espelho, um reflexo, uma imagem da realidade, só que cantada com bons olhos. Ainda irei citar as letras, as letras que arrepiam, por enquanto eu cito as que falam de boa vida, de dinheiro... Quais ideias horrendas estão sendo semeadas pelos cantores? O superficial vem sendo plantado por anos a fio. Poucos conhecem o outro lado: as letras pelas quais os dedos são levantados para o céu como se apontasse uma estrela e fizesse um pedido de amor, ou pedido de amenizar as pontadas que se intensificam a cada frase. Poucos conhecem as letras pelas quais os copos são erguidos como quem brinda com o vento. Tais letras expostas sem título, sem autor muitas vezes são bem aceitas, basta adicionar a informação de que se trata de um forró e tudo parece mudar. Oh céus! Isso vai além de "pré-conceito".
Quantos e quantos já se renderam às festas de forró? Só eu conheço vários. A dança colada que também pode ser dançada só, permite estripulias e rodopios, permite conversas ao pé do ouvido, permite amigas conversarem, permite confraternizações...
Não vim querendo convencer o mundo a escutar forró. Vim para barrar esse pré, pós e contínuo conceito. Outra pessoa também disse mais ou menos isto: não existe música boa ou ruim, existe música que você não gosta. Agora eu digo: se eu aprendi a gostar de certas coisas, por que uma parte da humanidade não poderia?
Falou Thuanny Maryna, Serra Talhadense e "forrozeira".
P.S.: Experimentem e não se preocupem com a tal atrofia do cérebro, estou em fase avançada e mesmo assim redigi o texto acima e garanto que tal atrofia não atrapalhará minhas funções motoras e psicológicas, posso até ficar gaga, mas não graças ao forró...
"Eu vou fazer uma banda só pra tocar forró, quero que o mundo saiba que não há nada melhor..."
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
MMXI
Eu nem sei se hoje é quinta ou sexta-feira, de repente parece não existir tempo-espaço, só minha pequena alegria matinal e ela parece bastante.
Ah, hoje é sexta-feira e em um passe de mágica eu trouxe mim mesma de volta! Agora consigo lembrar... MMXI, ano novo.
O ano novo pressagia... Prenuncia a compra de um novo calendário. Famílias relutantes irão unir-se em volta do espumante, ostentando união nunca antes vista. Os trajes brancos e corações vermelhos, enquanto as mentes vestem a cor que desejarem. A mãe usa verde, pois busca saúde e força física para amparar os filhos e marido. O pai veste marrom na busca da estabilidade e segurança. Os filhos enchem-se com rosa, vermelho e dourado. E assim vem a avó, a tia solteirona, o avô, o tio todo poderoso, os primos esquisitos... Todos ali, unidos e reunidos.
Nada demudará, fora a noite que, não surpreendentemente, irá amanhecer. Este novo não engana: continuação em 3D do velho. Quantas novas metas serão escritas nas páginas iniciais das agendas? Pergunto-me de que adianta tanto fulgor por fora se por dentro seus medos ainda são os mesmos? Se sua preguiça continua ali, e não me venha com papo de dieta e de malhação! Se o rancor você guardo
u, sem história de pessoa melhor! O ano novo não é um elfo mágico realizando todas as suas aspirações. O ano novo é uma chance simbólica de marcar um início, de sacudir a poeira, de levantar.Nada me garante que a família ali reunida com o espumante não irá passar a ostentar uma união dali em diante. Nada me garante a paz pedida, nem os desejos realizados, nem a força necessária. Coisa alguma é incerta, quem dirá certa! É nos dado, somente, o direito de organizar o nosso recomeço.
(Eu estava ansiosa por escrever aqui, qualquer coisa que fosse... Desculpas pela demora e por isso aí em cima...) :) Feliz ano novo.
Assinar:
Postagens (Atom)

